Taittirīya Upaniṣhad



O homem, na sua ignorância, se identifica com os invólucros materiais
que envolvem o seu verdadeiro Eu. Ao transcendê-los,
ele se torna uma coisa só com Brahman,
que é pura bem-aventurança.

OM...
Que Mitra nos concda a paz!
Que Varuna nos conceda a paz!
Que Aryama nos conceda a paz!
Que Indra e Brihaspati nos concedam a paz!
Que Vishnu, que tudo permeia, nos conceda a paz!
Salve Brahman!
Salve, Vós que sois a origem de todo o poder!

  1. Vós sois de fato Brahman manifestado. De vós eu falarei. Proclamar-Vos-ei em meus pensamentos como verdadeiro. Proclamar-Vos-ei em meus lábios como oVerdadeiro.
  2. Que a Verdade me proteja, que Ela nos proteja a ambos. Que a Glória venha a nós dois. Que a luz de Brahman brilhe em nós dois.
  3. Vós sois Brahman, Uno com a sílaba OM, que está em todas as escrituras - a sílaba suprema, a mãe de todos os sons. Fortalecei-me com a verdadeira sabedoria. Possa eu, Ó Senhor, perceber o Imortal. Que o meu corpo seja forte e perfeito.; que a minha língua seja doce; que os meus ouvidos ouçam somente louvores a Vós. A sílaba OM é verdadeiramente a Vossa imagem. Através dessa sílaba podeis ser alcançado. Vós estais além das garras do intelecto. Permiti que eu não esqueça o que aprendi nas escrituras.
  4. Sois a origem de toda felicidade e de toda prosperidade. Vinde a mim como a deusa da prosperidade e derramai vossas bênçãos sobre mim.
  5. Que aqueles que buscam a verdade se reúnam em volta de mim, que eles venham de todos os lugares, para que eu possa ensinar-lhes as Vossas palavras.
  6. Que eu seja uma glória entre os homens. que eu seja mais rico do que o mais rico. Que eu penetre em Vós., Ó Senhor; e que Vós vos reveleis a mim. Purificado me torno pelo vosso toque, Ó Senhor de inúmeras formas.
  7. Sois o refúgio daqueles que se entregam a Vós. Revelai-Vos a mim. Fazei com que eu seja Vosso. Eu me refugio em Vós.
  8. Sois o Senhor, imortal, autoluminoso e de dourado fulgor, dentro do lótus de todos os corações. Dentro de coração Vós sois revelado àqueles que Vos procuram.
  9. Aquele que habita em Vós, reina sobre si mesmo. Ele controla seus irriquietos pensamentos. Ele se torna mestre das suas palavras e dos seus órgãos sensoriais. Ele se torna mestre do seu intelecto.
  10. Vós sois Brahman, cuja forma é invisível, como o éter; cujo Eu é a Verdade. Sois a paz perfeita e a imortalidade, o conforto da vida, o deleite da mente. Possa eu venerar-Vos!
  11. OM é Brahman. OM é tudo. Aquele que medita sobre OM atinge Brahman.
  12. Após haver alcançado Brahman, um sábio declarou: " Eu sou a vida. Minha glória é como o pico da montanha. Estou estabelecido na pureza de Brahman. Alcancei a liberdade do Eu. Sou Brahman, autoluminoso, o tesouro mais brilhante. Fui contemplado com a sabedoria. Sou imortal, imperecível".
  13. OM... Paz - paz - paz.
  14. A Um Estudante Leigo: Permiti que vossa conduta seja marcada pela ação correta, inclusive o vosso estudo e o ensinamento das escrituras; através da verdade na palavra, na ação e no pensamento; através da auto-abnegação e da prática da austeridade; através do equilíbrio e do autocontrole; através da execução das tarefas diárias da vida com um coração alegre e uma mente desapegada.
  15. Falai a verdade. Cumpri o vosso dever. Não negligencieis o estudo das escrituras. Não interrompais a linha da progênie. Não vos desvieis do caminho do bem. Reverenciai a grandeza.
  16. Permiti que vossa mãe seja um deus para vós; permiti que vosso pai seja um deus para vós; permiti que vosso mestre seja um deus para vós; permiti que vosso hóspede seja um deus para vós. Executai somente ações irrepreensíveis. Mostrai sempre respeito pelos grandes.
  17. Qualquer coisa que deis aos outros, dai-a com amor e respeito. Presentes devem ser dados em abundância, com alegria, humildade e compaixão.
  18. Se em qualquer ocasião houver qualquer dúvida com relação à conduta correta, segui a prática das grandes almas, que são sinceras, possuem bom julgamento e são dedicadas à Verdade.
  19. Conduzi-vos sempre assim. Este é o preceito, esse é o ensinamento, e essa é a ordem das escrituras.
  20. Aquele que conhece Brahman atinge a meta suprema. Brahman é a realidade permanente, é o conhecimento puro, e é a infinidade. Aquele que sabe que Brahman habita o lótus do coração torna-se uno com ele e desfruta de todas as bênçãos.
  21. De Brahman, que é o Eu, veio o éter; do éter o ar; do ar o fogo; do fogo a água; da água a terra; da terra a vegetação; da vegetação o alimento; do alimento o corpo do homem. O corpo do homem, composto da essência do alimento, é o invólucro físico do Eu.
  22. Do alimento nascem todas as criaturas, que se sustentam com o alimento e depois da morte retornam ao alimento. O alimento é a cabeça de todas as coisas. É, portanto, considerado o remédio para todas as doenças do corpo. Aqueles que veneram o alimento como Brahman, obtêm todos os desejos materiais. Do alimento nascem todos os seres que, tendo nascido, crescem através dele. Todos os seres se nutrem do alimento e, quando morrem, o alimento se nutre deles.
  23. Diferente do invólucro material é o invólucro vital. Ele está encerrado no invólucro físico e tem a mesma forma. Através dele, os sentidos executam a sua tarefa. Dele, os homens e os animais extraem suas vidas. Ele determina a extensão da vida de todas as criaturas. Aquele que venera o invólucro vital como Brahman vive para completar o seu lapso de vida. Esse invólucro é o eu vivente do invólucro físico.
  24. Diferente do invólucro vital é o invólucro mental. Ele está contido no invólucro vital e tem a mesma forma.
  25. Palavras não podem expressar a bem-aventurança de Brahman, a mente não pode alcançá-la. O sábio, que a conhece, está livre do medo.
  26. O invólucro mental é o Eu vivente do invólucro vital
  27. Diferente do invólucro mental é o invólucro intelectual. Ele está encerrado no invólucro mental e possui a mesma forma.
  28. Todas as ações, de sacrifício ou de outro tipo, são executadas através do intelecto. Todos os sentidos homenageiam o invólucro intelectual. Aquele que venera o intelecto como Bahman não se engana; ele não se identifica com os invólucros, e não se rende às paixões do corpo.
  29. Diferente do invólucro intelectual é o invólucro do ego. Esse invólucro está contido no invólucro intelectual e tem a mesma forma..
  30. Além de todos os invólucros está o Eu.
  31. Fútil e sem sentido torna-se a vida daquele que pensa que Brahman não existe. Somente aquele que sabe que Brahman existe vive verdadeiramente.
  32. É certo que, no momento da morte, um homem tolo não atinge Brahman, somente um homem sábio.
  33. Desejando vir a tornar-se muitos, criar de si muitas formas, Brahman meditou. Ao meditar, criou todas as coisas.
  34. Ao criar todas as coisas, penetrou em tudo. Ao penetrar em tudo, tornou-se aquilo que tem forma e aquilo que não tem forma; tornou-se aquilo que pode ser definido e aquilo que não pode ser definido; tornou-se aquilo que possui apoio e aquilo que não possui apoio; tornou-se aquilo que é consciente e aquilo que não é consciente; tornou-se aquilo que é grosseiro e aquilo que é sutil. Ele tornou-se todas as coisas: portanto, os sábios o chamam de Real.
  35. A respeito dessa verdade, está escrito: Antes de surgir a criação, Brahman existia como Não-manifesto. Do não-manifesto foi criado o manifesto. De si, ele criou a si mesmo. Conseqüentemente, é conhecido como Auto-existente.
  36. O Auto-existente é a essência de toda a felicidade. Quem poderia viver, quem poderia respirar, se esse abençoado Eu não habitasse o lótus do coração? Ele é o que dá alegria.
  37. Quando um homem encontra sua existência e harmonia no Eu - que é o alicerce da vida, que está além dos sentidos, que não possui forma, que é inexprimível e está além de todos os predicados - então, sozinho ele transcende o medo. Enquanto existir a mais leve idéia de separação dele, há o medo. Ao homem que se considera instruído, mas não se conhece como Brahman, Brahman, que afasta o próprio medo, aparece como o próprio medo.
  38. A respeito dessa verdade, está escrito: Por medo de Brahman, o vento sopra e o Sol brilha; por medo dele, Indra, o deus da chuva, Agni, o deus do fogo, e Yama, o deus da morte, executam suas tarefas.
  39. Quem poderia viver, quem poderia respirar, se esse abençoado Eu não habitasse o lótus do coração? Ele é o que dá alegria.
  40. De que natureza é essa alegria?
  41. Considerai o quinhão de um jovem nobre, versado, inteligente, forte, sadio, com toda a riqueza do mundo a seu comando. Considerai que ele seja feliz, e medi sua alegria como uma unidade.
  42. Cem vezes essa unidade, representa uma unidade de alegria dos Gandharvas: porém, a alegria daquele que vê, a quem o Eu foi revelado e que é livre de desejos, não é menor do que a alegria dos Gandharvas.
  43. Cem vezes a alegria dos Gandharvas celestiais representa uma unidade de alegria dos Pitris no seu paraíso: porém a alegria do sábio a quem o Eu foi revelado e que é livre de desejos, não é menor do que a dos Pitris no seu paraíso.
  44. Cem vezes a alegria dos Pitris no seu paraíso representa uma unidade de alegria dos Devas: porém a alegria do sábio a quem o Eu foi revelado e que é livre de desejos, não é menor do que a alegria dos Devas.
  45. Cem vezes a alegria dos Devas representa uma unidade de alegria dos Karmas-Devas: porém a alegria do sábio a quem o Eu foi revelado e que é livre de desejos, não é menor do que a alegria dos Karma-Devas.
  46. Cem vezes a alegria dos Karma-Devas representa uma unidade de alegria dos mentores Devas: porém a alegria do sábio a quem o Eu foi revelado e que é livre de desejos, não é menor do que a alegria dos mentores Devas.
  47. Cem vezes a alegria dos mentores Devas representa uma unidade de alegria de Indra: porém a alegria do sábio a quem o Eu foi revelado e que é livre de desejos, não é menor do que a alegria de Indra.
  48. Cem vezes a alegria de Indra representa uma unidade de alegria de Brihaspati: porém a alegria do sábio a quem o Eu foi revelado e que é livre de desejos, não é menor do que a alegria de Brihaspati.
  49. Cem vezes a alegria de Brihaspati representa uma unidade de alegria de Prajapatii: porém a alegria do sábio a quem o Eu foi revelado e que é livre de desejos, não é menor do que a alegria de Prajapati.
  50. Cem vezes a alegria de Prajapati representa uma unidade de alegria de Brahman: porém a alegria daquele que vê, a quem o Eu foi revelado e que é livre de desejos, não é menor do que a alegria de Brahman.
  51. Aquele que é o Eu no homem, e aquele que é o Eu no Sol, são um só. Verdadeiramente, aquele que conhece essa verdade conquista o mundo; transcende o invólucro físico, transcende o invólucro vital, transcende o invólucro mental, transcende o invólucro intelectual, transcende o invólucro do ego.
  52. Está escrito: Aquele que conhece a alegria de Brahman, que não pode ser expressa com palavras e que a mente não pode alcançar, está livre do medo. Não é atormentado pelo pensamento: "por que não fiz o que é certo? Por que fiz o que é errado?" Aquele que conhece a alegria de Brahman, por conhecer tanto o bem como o mal, transcende a ambos.
  53. OM...
  54. Que Brahman nos proteja, que nos guie, que nos dê
  55. força e entendimento correto.
  56. Que a paz e o amor estejam com todos nós!
  57. Bhrigu, aproximando-se respeitosamente de seu pai Varuna, disse: "Senhor, ensinai-me Brahman". Varuna explicou-lhe o invólucro físico, o invólucro vital e as funções dos sentidos e acrescentou: "aquele de quem todos os seres nascem, em que vivem, tendo nascido, e para quem, ao morrerem, retornam - procurai conhecê-Lo. Ele é Brahman".
  58. Bhrigu praticou austeridade e meditação. Então pareceu-lhe que o alimento era Brahman. Pois todos os seres nascem do alimento e, tendo nascido, são sustentados pelo alimento, e no alimento entram depois da morte.
  59. Esse conhecimento, contudo, não o satisfez. Aproximou-se mais uma vez de seu pai Varuna e disse: . "Senhor, ensinai-me Brahman"
  60. Varuna replicou: "procurai conhecer Brahman pela meditação. A meditação é Brahman".
  61. Bhrigu praticou a meditação e aprendeu que a energia primordial e Brahman. Pois da energia primordial nascem todos os seres e, tendo nascido, dão sustentados pela energia primordial, e penetram na energia primordial quando morrem.
  62. Bhrigu, porém, ainda estava com dúvidas a respeito do seu conhecimento. Assim, aproximou-se mais uma vez de seu pai e disse: "Senhor, ensina-me Brahman". Varuna replicou: "procurai conhecer Brahman pela meditação. a meditação é Brahman".
  63. Bhrigu praticou a meditação e aprendeu que a mente é Brahman. Pois todos os seres nascem da mente e, tendo nascido, são sustentados pela mente, e penetram na mente quando morrem.
  64. Ainda em dúvida, ele se aproximou do pai e disse: "Senhor, ensinai-me Brahman". Seu pai replicou:"procurai conhecer Brahman pela meditação. a meditação é Brahman".
  65. Bhrigu praticou a meditação e aprendeu que o intelecto é Brahman. Pois todos os seres nascem do intelecto e, tendo nascido, são sustentados pelo intelecto, e voltam ao intelecto depois da morte.
  66. Ainda não satisfeito, duvidando a sua compreensão, Bhrigu aproximou-se do pai e disse: "Senhor, ensinai-me Brahman". Varuna replicou: "procurai conhecer Brahman pela meditação. a meditação é Brahman".
  67. Bhrigu praticou a meditação e aprendeu que a felicidade é Brahman. Pois da felicidade nascem todos os seres e, tendo nascido, são sustentados pela felicidade, e penetram a felicidade após a morte.
  68. Esta é a sabedoria que Bhrigu, ensinado por Varuna, alcançou dentro do seu coração.
  69. Aquele que alcança esta sabedoria obtém a glória, torna-se rico e goza a riqueza e a fama.
  70. Deve-se meditar sobre Brahman como fonte de todo pensamento, vida e ação. Ele é o esplendor na riqueza, ele é a luz nas estrelas. Ele é tudo.
  71. Se um homem meditar sobre Brahman como apoio, será apoiado. Se meditar sobre Brahman como grandeza, será grande. Se meditar sobre Brahman como mente, será dotado com poder intelectual. Se meditar sobre Brahman como adoração, será adorado. Se venerar Brahman como Brahman, ele se tornará Brahman.
  72. Aquele que é o Eu no homem, e aquele que é o Eu no sol, são um só.
  73. Eu Sou esse Eu! Eu sou vida imortal! Sobrepujo o mundo - Eu que sou dotado com resplendor dourado! Aqueles que me conhecem atingem a Realidade.

OM... Paz - paz- paz.

Extraído da obra "Os Upanishads; 9a Edição, Editora Pensamento, São Paulo,  1999

2 comentários:

Natália Guedes disse...

Adorei seu blog, estou conhecendo o hinduísmo e estou tirando muitos ensinamentos do blog.
Espero que vc não pare. Namaste

Laísa Boaventura disse...

Oi Natália, brigadíssima pelo incentivo. Demoro para postar, mas não abandono não...rs

bjo grande! Namastê!

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Namastê!